segunda-feira, 6 de junho de 2016

"Amy"

“Amy”

                Ontem assisti ao documentário “Amy”, dirigido por Asif Kapadia, e que mostra a breve trajetória da cantora britânica Amy Winehouse.
                Como é de se esperar de um músico que assiste a documentários sobre cantoras, observei todos os aspectos musicais, os depoimentos de músicos com quem Amy trabalhou, produtores e críticos. Não há nada a dizer além do que ouvi. Amy Winehouse foi umas das melhores cantoras de sua geração.
                Sempre gostei de artistas que conseguem dar ares de modernidade ao que é clássico, que transitam bem por várias “gerações” da música. Assim como John Mayer faz garotos acostumados ao “bate-estaca” do pop moderno pararem para ouvir Blues, Amy fez adolescentes e crianças conhecerem o Jazz e o Soul, ao mesmo tempo em que participava de discos de ícones como Tony Bennett.
                Fiquei, digamos, triste por não ter conhecido o trabalho de Amy Winehouse mais cedo, porém vi que ainda é tempo. E estou correndo atrás do tempo perdido rs.
                Mas não quero bancar o crítico de imprensa especializada e não foi a música da cantora que mais me chamou a atenção no documentário.
               Três coisas me chamaram atenção na triste história de Amy Winehouse: Seu marido covarde, a sujeira do mundo das celebridades e as consequências de uma vida de “liberdade”.
                Fugindo à regra e começando pela última, escrevi “liberdade” entre aspas pois não me refiro à liberdade em si, mas sim à falsa liberdade. Aquela que me diz que devo fazer o que quiser, quando quiser, fazendo as regras da minha própria vida e do meu próprio corpo. No fim, a duas primeiras coisas que citei vão convergir nesta falsa liberdade.
                Segundo relatos dos depoentes que colaboraram com o documentário, Amy não usava nem mesmo maconha na adolescência e só passou a usar drogas pesadas, como crack e heroína, por influência de seu marido, um viciado assumido e debochado. Entre as perversidades do rapaz na vida de sua esposa, destaco o incentivo ao uso de cocaína, heroína e crack; as dificuldades impostas à internação de Amy para reabilitação; e o fornecimento de drogas durante o período de reabilitação da cantora, que demonstrava certo interesse em se reerguer.
O rapaz era um declarado entusiasta das festas regradas a drogas e sexo. Pelos relatos, perece ser do tipo que afunda os outros ao perceber que está se afogando.
                O mundo das celebridades, com seus críticos, apresentadores e paparazzi, fazia sempre questão de mostrar o pior lado de uma jovem destruída, a decadência de uma moça talentosa que fez péssimas escolhas. Fiquei imaginando o drama de alguém viciado em drogas, com péssima aparência, vivendo uma queda após a outra, sendo fotografado cada vez que saia na janela. Em uma participação que deveria fazer em um show de outra banda, Amy Winehouse mal se lembrava das letras das músicas. O público, é claro, não perdoou. O que deveria gerar comoção por uma moça de vinte e poucos anos que desgraçava a própria vida, virou um festival de vaias, que, para artistas, costumam ser a pior das humilhações.

                Seja levando uma vida movida por impulsos, seja fazendo da desgraça alheia a piada da vez, as pessoas têm se sentido motivadas a fazerem o que lhes der na telha, ignorando o impacto daquilo que fazem e o que virá pela frente. Nas ações de um homem covarde, que afunda a própria esposa nas drogas por achar que esse estilo de vida é totalmente louvável, principalmente por ser tão jovem, na repercussão debochada que se dá ao mal que arrebatou mais uma pessoa que tinha tanto a fazer e a viver, ou nas escolhas mal pensadas de uma jovem artista, só consigo enxergar a tal “liberdade” fingindo ser liberdade e destruindo tudo por onde passa.
                Se tem algo que tenho e que considero perigoso, isso é minha liberdade. Por isso, prefiro abrir mão da plenitude dessa liberdade, considerando que para tudo há consequência, e me sujeitando a outra maneira de viver, tutelada, regida por algo maior que eu mesmo.

                Fiquei comovido ao assistir ao documentário. Por alguma razão, senti como se tivesse morrido uma pessoa que eu conhecesse. Acho que não consegui enxergar Amy Winehouse como nada além de vítima de um pensamento perverso que domina nossos dias, o do “minha vida, minhas regras”.



Fugindo ao tema, mas não ao costume, fico por aqui.
Que Deus, em Cristo, lhes abençoe.
Abraços. 



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